Tem encontros que não fazem barulho. Não chegam como promessa, nem ficam tempo suficiente para virar hábito. Acontecem no meio do cansaço, quando a alma já desistiu de pedir ajuda. São pessoas que aparecem sem saber a dimensão do que oferecem. Elas apenas ficam ali, perto, inteiras, enquanto tudo em você parece ruir por dentro.

Quem foi luz não iluminou o caminho inteiro. Iluminou só o próximo passo. E isso bastou. Bastou para você não cair, bastou para respirar mais uma vez, bastou para atravessar uma noite que parecia interminável. Às vezes foi uma palavra simples. Às vezes um silêncio respeitoso. Às vezes apenas um olhar que dizia: eu vejo você.
Quando essa pessoa se afasta, algo dói fundo, não pela perda em si, mas porque ela levou consigo a lembrança do momento em que você era frágil demais para se sustentar sozinho. Fica uma saudade que não grita, mas pesa. Uma gratidão que não se exibe, mas permanece. Um vínculo que não pede retorno.
É comum tentar esquecer para não sentir. Mas esquecer quem foi luz é apagar uma parte da própria história. Não porque essa pessoa define quem você é, mas porque ela esteve quando você ainda não sabia quem seria. Ela segurou sua mão no trecho mais escuro da escada.
Hoje, talvez, você suba sozinho. E isso não diminui o que houve. Pelo contrário. Mostra que a luz cumpriu o seu papel. Algumas presenças não ficam para sempre. Ficam o tempo necessário para que a gente sobreviva ao que parecia impossível.
Se um dia a memória apertar, não lute contra ela. Acolha. Porque lembrar não é fraqueza. É prova de que houve verdade. Houve cuidado real, sem troca, sem teatro. Houve alguém que te viu inteiro quando você só conseguia se enxergar em pedaços. E isso, mesmo que doa, é uma das formas mais puras de amor que existem.
Guarde isso com delicadeza. Não como quem prende, mas como quem honra. Porque a luz que um dia veio de fora agora mora em você. E mesmo nos dias mais escuros, ela sabe exatamente onde acender. Isso ninguém pode tirar.